Brasil
Pesquisa: corrupção na política é mais grave do que roubos a trabalhadores
Brasileiros percebem o problema com mais gravidade que qualquer outro tema pesquisado
Para os brasileiros, nenhum problema é percebido com mais gravidade do que a corrupção na política: 99% dos participantes da pesquisa a definiram como grave (sendo que 95% usaram o grau máximo do questionário, “muito grave””) quando defrontados com questões sobre a moralidade no país. Esse é um dos resultados da pesquisa nacional de opinião pública encomendada pelo ICL e realizada pela Ágora Consultores, que ouviu quase 10 mil pessoas das diferentes classes sociais.
O levantamento foi realizado entre 17 e 23 de novembro de 2025 para conhecer o pensamento do brasileiro. As conclusões do trabalho estão sendo publicadas em primeira mão pela Revista Liberta.
Corrupção, roubos, juros, custo de vida: são principalmente as temáticas relacionadas de alguma forma ao dinheiro e à economia aquelas que têm sido vistas como mais graves quando a discussão é sobre moralidade. Bem à frente, inclusive, de pautas tipicamente consideradas “morais”, que ainda aparecem como graves para a maioria dos brasileiros, mas em proporções cada vez menores: 76% veem com gravidade o racismo estrutural, 71% a “falta de Deus na vida das pessoas”, outros 71% a questão da proteção ambiental e combate ao aquecimento global, e 69% encaram com gravidade o problema do preconceito contra LGBTQIA+.
Mas, em todos os casos, as situações propostas pela pesquisa contam com uma ampla maioria de brasileiros encarando os problemas listados como uma situação que merece ser vista com atenção. Também em todas as situações, a expressão “muito grave” foi a mais escolhida para se referir às pautas apresentadas: mesmo no caso do preconceito contra LGBTQIA+, a menos citada, 50% dos consultados ainda a posicionaram no degrau máximo de gravidade sugerido (19% consideraram “algo grave” e outros 23% se dividiram em “pouco” ou “nada grave”, além de 7% que não souberam opinar).
Mas o entendimento amplo de que um tema é grave não necessariamente significa que ele seja visto como um dos mais urgentes enfrentados pela sociedade. “Quando temos muitos temas que são quase unânimes, há uma decisão metodológica de perguntar de duas maneiras”, explica o cientista político Diego Villanueva, diretor da Ágora. “O que ocorre é que há coisas que são muito importantes, mas têm baixa prioridade, que não geram o mesmo grau de relevância”, diz.
O questionário então propôs um exercício diferente: diante de alternativas que contavam com a concordância majoritária sobre quão graves são, os consultados foram convidados a selecionar somente as três que consideravam mais graves entre todas as situações propostas pela pesquisa. Aqui, a corrupção na política se isolou no topo do ranking como a prioridade máxima dos brasileiros: 86% a ranquearam como um dos temas mais urgentes da vida nacional – o segundo tema mais citado, os roubos e furtos contra os trabalhadores, desta vez surgem bem atrás, aparecendo no top 3 de 53% dos pesquisados.




